Sua Marca tem uma Causa? A causa de Lennon era “PAZ e AMOR”. (Marcas e causas – parte 1)

“Isso não é problema seu! Cuide da sua vida e não se meta com os outros.
Se os negros não podem beber água no mesmo bebedouro que você, não é problema seu.
Se as  mulheres não podem votar, isso também não é da sua conta.
Cuide daquilo que é da sua conta e não se meta em encrencas.”

Você já ouviu coisas desse tipo? Coisas assim eram a expressão do pensamento conservador dos anos 50, época em que eu nasci. Frases e expressões como estas davam o tom na Educação dos Filhos daquela época. Era assim no Brasil, nos Estados Unidos e nos países da Europa. Era um padrão conservador dominante que se refletia em todos os setores das sociedades da época. Era assim na política, nas artes, na imprensa e nos lares, entre marido, mulher e filhos. E os vizinhos não deviam se meter, afinal não foram chamados para opinar.

Mas os anos 60 começaram com uma brisa leve soprando um vento novo.  Esse vento foi crescendo e acabou se tornando um tufão ou furacão. Algo difícil de ser contido.
Em meio a todo o conservadorismo que imperava no mundo, surgiu uma juventude desejosa de mudanças. Jovens se encontrando com outros jovens e questionando os mais velhos. Jovens que – olhando para aquele mundo tão estático, quase imutável, triste, cinza – diziam NÃO!

Jovens protestando nos anos 60: um mundo melhor e o fim das guerras eram ”da conta” deles.

Jovens protestando nos anos 60: um mundo melhor e o fim das guerras eram ”da conta” deles.

Ao olhar para a política, enxergavam  posturas gerontocráticas, viam soldados invadindo países e não concordavam com aquilo. Jovens se juntavam a outros jovens. Discutiam como criar um mundo melhor do que aquela coisa mal parada e represada dos velhos quadrados e sem flexibilidade. Criaram então os movimentos juvenis e estudantis dos anos 60. Ao mesmo tempo, nasceu a filosofia Hippie desejosa de “Paz e Amor”, em oposição a um mundo de Violência e Guerra, com o qual os jovens e os hippies não concordavam.

Duas fotos famosas da Guerra do Vietnã.

Duas fotos famosas da Guerra do Vietnã.

Jovens influenciaram jovens e, ao invés  de ouvirem seus pais e mestres escolares, começaram a dar ouvidos aos seus artistas preferidos, de canções e discos nascentes.
Uma banda musical, THE BEATLES, se destacou trazendo um som novo e vibrante. No começo faziam “canções água com açúcar” mas foram logo se engajando nas questões centrais da época e evoluíram com canções como “ALL YOU NEED IS LOVE” e “REVOLUTION”.

Beatles cantavam o amor nos anos 60: ALL YOU NEED IS LOVE!

Beatles cantavam o amor nos anos 60: ALL YOU NEED IS LOVE!

No mundo todo a juventude queria uma vida melhor, não queria guerras entre povos, queria paz e queria justiça. E os mais velhos nem sequer compreendiam os motivos de tais demandas. A televisão ganhou espaço na sociedade e, não só os jovens, mas toda a população que via a TV, ficou estarrecida em ver a Guerra do Vietnã quase ao vivo e em cores. Os jovens iniciaram os protestos  e começam a ir para as ruas em passeatas com cartazes com frases contra a Guerra e a Favor da Paz, pelo fim da Guerra.

Os políticos e as autoridades em geral, civis e militares, até tentaram enquadrar os jovens mas não conseguiram. Eles eram aguerridos, faziam muito barulho e começaram a influenciar até mesmo os mais velhos, que começaram a perceber que algo estava acontecendo e que, se ficassem passivos, estariam cometendo um sério erro.
Muitos setores da sociedade– como professores, jornalistas, religiosos e outros – começaram a se manifestar e apoiar os jovens.

Artistas se engajaram na luta pela Paz, pelo fim da Guerra do Vietnã e pelo fim das guerras em geral.
Os jovens queriam um mundo ALL YOU NEED IS LOVE, PAZ  AMOR, NÃO FAÇA A GUERRA E SIM O AMOR.
Os artistas populares da música se destacaram nesse cenário.

John Lennon e Yoko Ono na cama PELO FIM DA GUERRA DO VIETNÃ. “Faça amor, não faça guerra!”.

John Lennon e Yoko Ono na cama PELO FIM DA GUERRA DO VIETNÃ. “Faça amor, não faça guerra!”.

Com os Beatles ocorreram rupturas, com John Lennon deixando a banda, se casando com a japonesa Yoko Ono e lançando simultaneamente uma carreira solo e um movimento mundial pela PAZ E CONTRA A GUERRA.
Lennon era jovem, bonito, famoso e tinha opinião firme. Tinha uma visão  de um mundo melhor e diferente daquele que havia visto durante sua infância em Liverpool.
Com Yoko ele refez o mito de Adão e Eva – sem a serpente – e investiu seu talento, tempo e dinheiro para fazer algo que acreditava. Estava determinado a FAZER COM QUE A POPULAÇÃO DO MUNDO TODO ENTENDESSE QUE A GUERRA ERA UM HORROR E QUE AS PESSOAS DEVERIAM FAZER AMOR E NÃO A GUERRA. Muita gente achou que era ingenuidade, que ele deveria cuidar somente de sua carreira e coisas assim.

John Lennon e Yoko Ono na cama PELA PAZ: “Faça amor, não faça guerra!”.

John Lennon e Yoko Ono na cama PELA PAZ: “Faça amor, não faça guerra!”.

Mas Lennon e Yoko alugaram quartos de hotéis para passar dias e dias na cama, fazendo AMOR, em um tipo de protesto  comportamental contra a GUERRA DO VIETNÃ.  Foi um tipo de evento especial para causar impacto noticioso, para gerar comentários nos jornais, revistas e TVs do mundo todo. Eles realmente conseguiram criar fatos noticiosos de alto impacto, com entrevistas e reportagens e até mesmo com publicidade em Outdoor (painéis em ruas em várias cidades do mundo).

Lennon bancou uma campanha com painéis e cartazes em várias cidades do mundo.

Lennon bancou uma campanha com painéis e cartazes em várias cidades do mundo.

As forças se juntaram e o protesto AMOROSO de Lennon e Yoko foi a gota d`água que faltava para o tsunami social. Os políticos e os militares tiveram que ceder e encerrar a Guerra. A imensa maioria do povo unido em um protesto ruidoso e avassalador sem precedentes, falou mais alto. A Guerra do Vietnã terminou em 1975.

Mas foi não foi uma vitoria definitiva. As lutas da HUMANIDADE para a adoção da SENSATEZ é uma batalha sem fim. Não existe vitória final  onde se possa baixar a guarda.
A PAZ venceu aquela Guerra, mas não venceu a violência: Lennon foi assassinado  brutalmente com um tiro quando voltava para casa, em Manhattan,  New York. Eu confesso que chorei e senti como se um parte de mim também tivesse morrido, quando recebi a notícia.
Lennon fez da “PAZ e AMOR” a sua grande causa.  Ele representou o que toda a geração dos anos 60 e 70 sentia. Ele foi um símbolo das CAUSAS daquelas pessoas, das quais eu também fazia parte.

A campanha publicitária pressionava pelo FINAL DA GUERRA DO VIETNÃ.

A campanha publicitária pressionava pelo FINAL DA GUERRA DO VIETNÃ.

Os anos 60 deixaram uma aprendizagem relevante sobre as CAUSAS pelas quais vale a pena lutar, engajar-se, protestar silenciosamente ou ruidosamente. Deixaram ensinamentos sobre a necessidade de TERMOS CAUSAS, de nos engajarmos nelas, de modo pacífico e sereno ou não, mas fazendo coisas nas quais acreditamos que farão o BEM para nossa alma, para as demais pessoas e até mesmo para o planeta.
Talvez alguém pense que estou tendo uma crise do tipo POLITICAMENTE CORRETO, mas não é isso não!  CAUSAS não tem nada a ver com “ nhém-nhém-nhém” .

Lennos, Yoko e os amigos comemoram o FIM DA GUERRA DO VIETNÃ.

Lennon, Yoko e os amigos comemoram o FIM DA GUERRA DO VIETNÃ.

Causas são questões vicerais, são aquelas coisas que a gente acredita do fundo da alma, que a gente valoriza e que faz tudo o que for necessário para apoiar e fazer acontecer.

As causas são tão importantes, que as MARCAS estão descobrindo o seu valor. E, como é natural, algumas marcas ESTÃO ADOTANDO CAUSAS de modo consequente e consistente, enquanto que outras MARCAS estão adotando-as de modo falso, “fake” , como fachada de marketing, o velho “enrolation.”

Alguns exemplos de causas:

A luta pela paz, contra a guerra.
A luta pela igualdade de direitos entre todas as pessoas.
A luta pela Sustentabilidade do Planeta.
A proteção e a defesa dos direitos dos Animais.
A defesa da Mulher contra a Violência, Assédio e Estupro.
O apoio contra a Fome e a Pobreza no mundo.
A luta contra a Intolerância religiosa.

E há muito mais possibilidades de adesão a CAUSAS pelas quais vale a pena lutar.

Aqui deixo uma pergunta:
Você consegue identificar UMA MARCA ou UMA EMPRESA que adotou CAUSAS de modo consistente e consequente? Consegue perceber aqueles que DIZEM QUE APOIAM uma ou outra causa, mas é visível que é história para “inglês ver”, que não é algo real e verdadeiro?

Penso , sinceramente, que CADA PESSOA, cada um de nós, CADA MARCA e CADA EMPRESA deveria seguir as diretrizes de um filósofo que dizia:
“Cada um de nós tem a  obrigação de fazer o bem e o melhor,  para si mesmo e para os demais. E cada um de nós deve encontrar algum modo de fazer algo para melhorar o mundo pelo menos um pouquinho. É nossa tarefa deixar um mundo um pouco melhor do que estava quando chegamos nele.”
Se assim fizermos, tal qual John Lennon, deixaremos nossa marca no mundo. Não teremos passado por aqui em brancas nuvens.

Em tempo: duas coisas geniais foram feitas em homenagem a John Lennon.

1)- Foi criada uma entidade que mantém um ÔNIBUS que circula por cidades dos Estados Unidos levando coisas de Lennon para os jovens e crianças – a música, as mensagens, equipamentos de som, gravação, instrumentos, etc – o Ônibus chega nas cidades e monta workshops, sessões de música, ensino, cursos, ajudam as crianças e jovens a fazer  gravações e tudo mais. Veja o site em:  http://www.lennonbus.org/

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2)- A SteinWay pianos, criou um série especial de pianos para homenagear John Lennon.
A Steinway é a marca de piano mais tradicional do mundo, cujos pianos mais recentes eram sempre pretos e muito classudos. Em homenagem, a empresa  lançou dois tipos de pianos brancos, todos muito parecidos com o piano que ele utilizou no vídeoclip “IMAGINE”.

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John Lennon é uma marca humana atemporal que afetivamente está e estará sempre acima de “qualquer marca de empresa ou de produto”. Mas a Steinway mostrou como uma marca de produto e empresa, ao mesmo tempo, pode apoiar Lennon e tirar partido de sua marca. A Steinway fez isso com uma delicadeza absurda e com uma adequação perfeita. Pena que muitas marcas adotam CAUSAS de modo não verdadeiro, de modo apenas “marketeiro”…

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Texto de: Augusto Nascimento, Consultor de Branding e Marketing da Innovax-BBI Consultoria, do Grupo BBI. Ficam autorizadas cópias para fins de divulgação um-a-um (exceto publicação), desde que citado este site como fonte, bem como o autor do artigo. Para contatar o autor, ligue para (11) 2338.4939 ou então envie mensagem através do formulário deste site.