SEGUROS: produtos, marcas e safadezas antigas que persistem no setor…

1- As safadezas do setor de SEGUROS são bem antigas

Eram anos 60. Meu pai tinha um empório numa pequena cidade do interior de São Paulo. Ouvi dele que teria que fazer um empréstimo no Banco local. (O banco chamava-se Banco Federal Itaú ou Banco Comercial Itaú. Ou algo assim). Depois, ouvi que ele foi ao banco, onde tinha conta há muitos anos, e pediu um empréstimo. Disse ele que o gerente do banco avisou que estava tudo OK e que o empréstimo seria feito e ele teria o dinheiro em mãos em poucos dias. Só faltava a autorização da matriz. Foi uma espera de alguns dias. E veio a resposta. O empréstimo seria autorizado mas meu pai teria que fazer um seguro em nome das pessoas da família. Éramos em seis pessoas em casa: meu pai, minha mãe e os quatro irmãos. Resumo da história: meu pai teve que “comprar” seis seguros de vida para conseguir o empréstimo, por uma condição imposta pela matriz do banco.

Foi a primeira vez que eu ouvi a palavra SEGURO DE VIDA. E eu quis saber mais sobre o que era aquilo, mas apenas consegui saber que seria debitado AUTOMATICAMENTE todos os meses, aquela pequena e insignificante TAXA DE SEGURO DA FAMÍLIA, enquanto durasse o tempo do empréstimo que meu pai pagaria mensalmente, por uns dois anos. Dois anos depois, meu pai acabou de pagar o empréstimo e, segundo ele – Graças a Deus – não era mais necessário pagar o tal SEGURO. Na verdade, naquele momento, ele deixava de pagar o seguro e todo o dinheiro pago por dois anos estava totalmente perdido. Aquele dinheiro da RECIPROCIDADE bancária fora apenas uma maneira de “extorquir” dinheiro do meu pai.

Essa é a EXPERIÊNCIA de muitos brasileiros com o produto SEGURO. Um modo que os BANCOS usam para tirar dinheiro dos clientes de modo “legalizado”.

Os Bancos são os detentores das maiores SEGURADORAS do Brasil.

Os Bancos são os detentores das maiores SEGURADORAS do Brasil.

E se olharmos bem o setor de SEGUROS NO BRASIL, as maiores seguradoras são espécies de DIVISÕES DOS BANCOS. Eles vendem “papéis” e faturam algo, sendo que SEGUROS são apenas mais um item de arrecadação.

2- Nenhuma seguradora se destaca. Nenhuma seguradora é amada pelos clientes. Todas vendem produtos genéricos. Nenhuma tem Branding.

Já atendi algumas SEGURADORAS como cliente, tanto na Agencia BBI, quanto na minha consultoria. Mas ainda não consegui que nenhuma SEGURADORA aceitasse fazer algo para mudar a sua imagem. Até porque, para mudar a imagem é preciso mudar a oferta e a proposta de serviços. E não me parece que alguém nesse setor queira mudar algo. Não me parece que, nesse setor, alguém queira se destacar. Aparentemente todos que atuam no setor preferem ficar quietinhos e dar continuidade ao que sempre fizeram.

Vi, ao longo dos anos, como as SEGURADORAS lidam com a Propaganda: a mais arrojada das SEGURADORAS em Propaganda foi a BRADESCO SEGUROS, que contratou a genial ALMAP que criou a campanha: “ Vai que…”

Clique e veja :   
 

Clique e veja :   
Essa foi a mais genial campanha da BRADESCO SEGUROS, em minha opinião. O que ela tem de tão legal? Bem, é uma campanha CRIATIVA que impacta os consumidores, que se destaca das demais campanhas e dos demais anúncios e comerciais. Está num nível mais alto e por isso mesmo é algo que SE DESTACA, que CHAMA A ATENÇÃO dos consumidores. Isso é vital para a propaganda. E o que há de ruim nessa campanha? Bem, ela VENDE UMA DEMANDA GENÉRICA e não uma demanda de MARCA. A demanda genérica é uma desgraça em propaganda, pois VENDE O PRODUTO, OFERECE O PRODUTO e não dá nenhuma razão para que o consumidor compre o produto daquela marca específica. Assim, esse tipo de PROPAGANDA, sem branding, vai vender e vai promover SEGUROS DE MODO BEM AMPLO independentemente de ser o seguro BRADESCO ou de qualquer outra marca. É propaganda genérica, geradora de demanda primária.

Nas ocasiões em que estive com pessoas do setor de SEGUROS ouvi de alguns deles que seguro é uma coisa muito séria e que “o brasileiro” ainda não tem a “cultura do seguro”. Ouvi que seria necessário fazer algo para MUDAR O SETOR.

Mas não vi nenhum CEO levar a sério a sua própria Marca, oferecendo produtos com algum diferencial e ligados a um posicionamento de marca também sério. Juro que não vi isso em nenhuma SEGURADORA. Todos os FUNCIONÁRIOS das Seguradoras parecem estar lá para garantir que eles FUNCIONEM do modo como sempre funcionaram…

Uma vez, nos anos 80, um dos gerentes que me pediu uma proposta, confessou-me: “Cara, a gente tem que fazer coisas das quais eu juro que não tenho nenhum orgulho. Eu não gostaria que meu filho soubesse de coisas que já fizemos aqui dentro, que vão contra os interesses dos clientes. É coisa de GOLPE mesmo. A gente já foi obrigado a debitar automaticamente um valor nas contas dos nossos 8 milhões de clientes e, caso algum deles reclamasse, a gente ia lá e fazia o estorno”. Fiquei pasmo: era uma confissão de um crime. Felizmente não assinamos o contrato e não trabalhamos com aquele banco.

3- Débito automático em conta: a safadeza continua no século XXI

Agora vejo os noticiários cobrindo um tema sobre DÉBITO AUTOMÁTICO em conta. Bem, essa é uma safadeza bem antiga, como expliquei no começo deste artigo, contando a experiência vivida pela minha família nos anos 60.

Debito automático em conta é algo não exclusivo de Bancos. Prefeituras, empresas de Luz, Gás, Telefonia, TV a Cabo e tantas mais. Há uma infinidade de empresas e organizações que PODEM dar esse tipo de GOLPE. Às vezes, duas dessas empresas se unem para sacanear seus clientes, que na verdade, são “cativos” das organizações, já que elas são espécies de monopólios de fornecimento.

Débito automático em conta, casado com sorteios e outras formas de abusar da boa-fé dos consumidores.

Débito automático em conta, casado com sorteios e outras formas de abusar da boa-fé dos consumidores.

Já existem LEIS para proteger o consumidor, mas são insuficientes. É preciso que cada um de nós cuide e esteja sempre atento. Infelizmente os CEOs de algumas dessas organizações e empresas parecem não se importar com LESAR CLIENTES.

Mas vamos ao caso: primeiro, um consumidor começa a divulgar nas redes sociais que está sendo LESADO por uma empresa DISTRIBUIDORA DE ENERGIA ELÉTRICA, já que sua conta de Luz começou a trazer um valor a pagar de R$ 34.90, que ele não percebeu… foi ao banco e pagou.

Um valor de apenas R$ 34,90 embutido na conta de Luz. O consumidor nem sempre atento, recebe a conta e paga. O dinheiro vai para DUAS empresas que criaram NOVAS RECEITAS...

Um valor de apenas R$ 34,90 embutido na conta de Luz. O consumidor nem sempre atento, recebe a conta e paga. O dinheiro vai para DUAS empresas que criaram NOVAS RECEITAS…

Esse pequeno valor, de R$ 34,90 talvez seja pago por alguns meses. Para onde vai esse dinheiro?

Certamente esse dinheiro vai para as empresas gestoras das CONTAS enviadas e também para algumas SEGURADORAS, cujos CEOs e diretores vão dizer que tudo está dentro da lei…

Ora, o setor todo está semipodre. Usa esse tipo de prática que seus funcionários não teriam coragem de contar para seus filhos.

Estão usando um conceito e um produto que chamam de MICRO-SEGURO, uma forma quase indolor de enfiar a mão no bolso do consumidor.

De repente, olhando as contas de LUZ, AGUA, GÁS, TELEFONE, TV A CABO e outras, os consumidores correm o risco de VER VALORES PEQUENOS aparecendo nelas. Valores que eles provavelmente pagam sem perceber...

De repente, olhando as contas de LUZ, AGUA, GÁS, TELEFONE, TV A CABO e outras, os consumidores correm o risco de VER VALORES PEQUENOS aparecendo nelas. Valores que eles provavelmente pagam sem perceber…

Nas contas são debitados automaticamente SEGURO TRANQUILIDADE, SEGURO ODOTOLÓGICO, SEGURO DE VIDA, SEGURO DESEMPREGO e outros. Os nomes das SEGURADORAS não são difíceis de achar, pois são as mesmas de sempre.

Clique e veja: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/clientes-da-eletropaulo-recebem-cobranca-indevida-de-seguro-em-conta-de-luz.ghtml

……………………………………………………………………………………………………………………………………………

Agora vamos fazer aqui um pequeno exercício: 
O Brasil tem quase 60.000.000 de residências que recebem contas de Luz. Tem cerca de 570.000 clientes empresariais (comércio e indústria). Tem 4.000.000 de clientes rurais. E ainda tem 520.000 órgãos públicos clientes.  E cerca de 20 empresas distribuem energia para o Brasil todo.

Então, só de residências, são 60.000.000 (sessenta milhões).

Imagine um débito automático em 60.000.000 de residências, de R$ 34,90 (como o visto acima).

Cada vez que o valor de R$ 34,90 foi debitado, haverá uma RECEITA de
R$ 2.094.000.000,00 (dois bilhões e noventa e quatro milhões de reais).

……………………………………………………………………………………………………………………………………………

Bem, certamente se isso se repetir, é só multiplicar o valor pelo número de meses que a SAFADEZA venha a ocorrer…

É isso! Não existe modo mais fácil e (mais safado) de arrecadar sem proporcionar nada em troca. É por isso que o setor ficou gordo e viciado. É por isso que muitos profissionais do setor ficam meio envergonhados de atuarem nele (mas meio, não muito…)

Talvez seja necessário algum tipo de aumento de concorrência no setor, para que alguma SEGURADORA queira se destacar, queira fazer algo pelos clientes…

Quanto aos consumidores, que há anos e anos vêm sendo enganados pelo setor tudo o que resta é unir-se, botar a boca no trombone e, com base no Código de Defesa do Consumidor, entrar com ações jurídicas pedindo indenizações e ressarcimento por danos morais.

Quanto aos consumidores, que há anos e anos vêm sendo enganados pelo setor tudo o que resta é unir-se, botar a boca no trombone e, com base no Código de Defesa do Consumidor, entrar com ações jurídicas pedindo indenizações e ressarcimento por danos morais.

____________________________________________________________________________________________________________________

Texto de: Augusto Nascimento, Consultor de Branding e Marketing da Innovax-BBI Consultoria, do Grupo BBI. Ficam autorizadas cópias para fins de divulgação um-a-um (exceto publicação), desde que citado este site como fonte, bem como o autor do artigo. Para contatar o autor, ligue para (11) 2338.4939 ou então envie mensagem através do formulário deste site.