Experiência da Marca: “New York” no cinema de Palmeira d’Oeste

Costumo dizer que conheci a cidade de Nova York muito antes de conhecer cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Belo Horizonte e outras. Eu nasci no Interior de São Paulo, em uma cidadezinha diminuta e, quando completei  5 anos, meus pais se mudaram para uma outra cidade, pouca coisa maior, chamada Palmeira d’Oeste.
E foi exatamente em Palmeira que fiquei sabendo que Nova York existia; que era maravilhosa e cheia de prédios chamados arranha-céus. Em Palmeira só havia casas térreas e lojas térreas. Mas havia um único prédio alto, que realmente achávamos grande e muito alto. Era o cinema, de nome Cine Brasil. Ele tinha um andar superior, que ficava em cima de um grande salão térreo. No térreo havia umas 400 poltronas confortáveis e uma imensa tela branca. O andar superior tinha umas 100 poltronas. Era lá que  eu gostava de assistir aos filmes, “bem de cima”. Podia ver o facho de luz da projeção do filme e, de vez em quando, dava uma espiada na saleta dos dois projetores.

Foi lá no Cine Brasil, ainda nos anos 60, que eu conheci Nova York, uma das maiores e mais charmosas cidades do mundo. Pelos filmes, conheci muitos lugares turísticos de Nova York: o Edifício Empire State , a Estátua  da Liberdade, a 5ª Avenida, a Grand Central Station, a Ponte do Brooklyn, entre outras atrações.

Assisti ao filme “King Kong”, de 33, com atriz Fay Wray em uma das mãos do gorila gigante sendo levada para o alto do  Empire State Building, enquanto aviões tentam derrubá-lo para salvar a donzela indefesa.

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Assisti  também a “O Pecado Mora ao Lado”, de 55, com Marilyn Monroe, que numa sequência, simula a tentativa de segurar seu vestido branco, que é levantado por um duto de ar quente na esquina da Lexington Avenue com a East 52nd Street. Filmes como esse eram proibidos para menores de 18 anos e eu somente conseguia assistí-los porque tinha amizade do funcionário do cinema que cuidava das projeções. Eu tinha que chegar duas horas antes e ficar escondido lá na saleta de projeção, onde ele trabalhava. Com isso pude conhecer o que era uma fita de celulóide, pude aprender como emendá-las, além de várias outras coisas práticas sobre o mundo do cinema.

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Assisti ainda o filme “Bonequinha de Luxo”, de 55, com Audrey  Hepburn, que tem a famosa sequência da elegante bonequinha tomando seu café-da-manhã e “desejando” as joias da loja Tiffany a da na 5ª Avenida .

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Mas nenhum desses filmes fez tanto sucesso na cidade quanto os do Tarzan. Eu entendo que Tarzan foi uma espécie de série da época: O primeiro foi “Tarzan, o Homem-Macaco”. Depois vieram “Tarzan e as Amazonas”, “Tarzan e a Caçadora”,  “As Aventuras de Tarzan”, “O Destemido Tarzan”, “A Fuga de Tarzan”,  “O filho de Tarzan”, Tarzan das Selvas” e, por fim, “Tarzan em Nova York”. Em todos esses filmes, Tarzan foi interpretado, não por um ator, mas por um atleta: Johnny Weissmuller, um dos maiores nomes da natação dos Estados Unidos.

Eu me lembro  que os filmes do Tarzan enchiam o cinema e ainda ficavam filas e filas lá fora esperando as sessões seguintes. Era uma história forte, atrativa e muito popular. O escritor Edgar Rice Burroughs publicou a primeira história de Tarzan em um livro de aventuras em 1912, e depois, continuou escrevendo e publicando cada vez mais. Os estúdios americanos levaram as histórias para os filmes e o sucesso foi imenso, tendo iniciado ainda com filmes mudos e em preto e branco (tal qual Carlitos do Chaplin, pois na época os cinemas projetavam apenas imagens em movimento. Não havia vozes, diálogos, falas e nem música. Era cinema mudo mesmo. Mas os cinemas  tinham músicas tocadas ao vivo. A orquestra ficava pertinho da tela tocando música instrumental , tentando fazer o som sincronizado com o filme, durante toda a projeção). Eu não assisti a nenhum filme mudo de Tarzan, mas vi muitas fitas de Tarzans sonoros em preto e branco. Os filmes sonoros tornam inesquecível o sofisticado diálogo de Tarzan com a Jane: “Me Tarzan, you Jane”. Também ajudam a criar a marca registrada dele, o famosíssimo Grito da Vitória de Tarzan (ele dava o famoso grito logo depois de vencer uma luta com um animal feroz, fosse na água, em cima das árvores ou no chão). Muitos anos depois a DC, Dell Comics, tentaria registrar o Grito como uma marca para a exploração comercial, mas seu pedido de registro foi recusado pelo órgão de Registro de Marcas americano.

O filme de maior sucesso na cidade foi mesmo “Tarzan em Nova York” , de 1942. Ele mostrava as aventuras e desventuras muito curiosas de Tarzan, da macaca Chita, e de Boy e Jane , em uma viagem feita a Nova York. Tarzan sobe em arranha-céus, do mesmo modo que sobe em árvores. Salta entre prédios usando cordas, como se fossem cipós. É acusado injustamente de um crime e passa a ser perseguido pela polícia. Vai para Ponte do Brooklyn, sobe os cabos e depois, para não ser pego pelos policiais, salta da ponte, mergulha no Rio East e consegue escapar nadando de Manhattan até o Brooklyn. Foi um show: o único filme que mostrou tanto o lado da selva, o lugar natural do Tarzan, quanto a cidade mais avançada do mundo na época, a grande selva da pedra.

Além dos filmes, também vi muitas fotos de Nova York nas Revistas O Cruzeiro, que era uma das poucas a que conseguíamos acesso. Não havia televisão e a cidade tinha iluminação pública por gerador a óleo. As luzes eram apagadas às 10 horas da noite. Eu vivi em Palmeira d’Oeste entre meus 5 e 18 anos. Lá aprendi coisas fundamentais sobre redigir, escrever, desenhar, ilustrar (Jornal A Gazeta d’Oeste), falar no microfone (Serviço de alto-falantes e uma emissora de Rádio,) entre outras coisas. Mas desejava mudar para uma cidade maior para poder fazer faculdade e trabalhar com publicidade. O sonho era mudar para Nova York ou São Paulo. Assim que terminei o colegial, vim sozinho para São Paulo para viver, trabalhar e estudar. Queria ter uma profissão e construir uma carreira naquilo que eu realmente gostava.

São Paulo foi “amor à primeira vista”: cheguei para morar e trabalhar e amei a cidade desde o primeiro dia, com os arranha-céus da Avenida Paulista, com seus cinemas e sua gente sempre correndo. Trabalhei muito e trabalho ainda, pois acho o trabalho muito prazeroso. Estudei  muito e estudo ainda, pois a aprendizagem é contínua e sem fim, já que “tudo muda o tempo todo no mundo”, diria Nelson Motta. E acho uma foi em uma crítica publicada num jornal, que comentava o Guia de Nova York do Nelson Motta, onde li o seguinte: Nova York tem lugares incríveis e imperdíveis. Mas, “a experiência mais completa é atravessar a Ponte do Brooklyn caminhando, durante o Outono, depois das 4 da tarde e experienciar o Sol e a Lua ao mesmo tempo; de um lado o Por do Sol caindo sob a Estátua de Liberdade, do outro lado a Lua surgindo em meio as luzes de Manhattan”. Ler isso mexeu comigo e reacendeu a chama de amor por Nova York. Então eu disse a mim mesmo com convicção: Amo New York e nunca fui lá. Tenho que ir e viver essa experiência”. E foi o que fizemos, eu  e minha esposa, alguns anos depois.

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Eu realmente recomendo toda a cidade de Nova York:  os pontos turísticos, museus, restaurantes, parques, bibliotecas. Cada uma dessas coisas é um ponto forte da Marca NOVA YORK, uma das marcas mais fortes de todo o mundo. NY é uma marca atraente e marcante. A maioria dos cidadãos de todas as cidades do mundo aprende a amar NY sem nunca tê-la conhecido, do mesmo modo que  aconteceu comigo. Mas conhecer e ter de fato a experiência confirma a promessa. Por isso mesmo recomendo: Faça o mais fantástico e gratuito tour de Nova York, vivendo o Sol e a Lua, na Bridge Brooklyn Experience”. 

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Fiz isso, mas não foi exatamente como eu esperava: foi muito melhor. Foi uma grande experiência de vida tudo aquilo e ainda ver ali na Ponte do Brooklyn, muitos casais, ao mesmo tempo, colocando cadeados nos cabos de aço da ponte enquanto cantavam aquela canção-hino tornada imortal na voz de Sinatra:

“Start spreading the news

 I’m leaving today  

I want to be a part of it

NEW YORK , NEW YORK”.

 

Depois daquela experiência maravilhosa, no dia seguinte fomos a várias lojas de souvenires e lembrancinhas , e então comprei:  a camiseta I LOVE NY, livros de fotos antigas de NY e, pasmem, um Long Play para apropriar-me daquela música inesquecível. Ouça:

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Texto de: Augusto Nascimento, consultor de Branding e Marketing da Innovax-BBI Consultoria, do Grupo BBI. Ficam autorizadas cópias para fins de divulgação um-a-um (exceto publicação), desde que citado este site como fonte, bem como o autor do artigo. Para contatar o autor, ligue para (11) 2338.4939 ou então envie mensagem através do formulário deste site.