Branding BRASIL e EUA: Por que o presidente brasileiro usa dois PALÁCIOS e o americano só usa uma CASA?

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1- Nós brasileiros adoramos Palácios: nosso presidente da república tem um como residência e tem outro como gabinete de trabalho…

O gosto dos políticos brasileiros por palácios e luxo é muito antigo. E o povo, quanto mais inculto, mais admira imperadores, ditadores e seus palácios. O Brasil tem mais de 200 palácios distribuídos entre os governos federais, estaduais e municipais.

A família Real, que chegou ao Brasil em 1808, chefiada por D. João, sempre viveu seu reinado em palácios. Criou palácios no Rio de Janeiro e até em Petrópolis. D.Pedro, que proclamou a Independência, também teve seus palácios.
Nossos primeiros republicanos criaram o Palácio do Itamaraty. Getúlio Vargas, o ditador nacionalista de direita, também gostava muito do Palácio do Catête, lá no Rio.

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Eis alguns dos mais de 200 palácios do Brasil, distribuídos entre os governos federais, estaduais e municipais.

Até Oscar Niemeyer, que se dizia um homem de esquerda, um arquiteto comunista, desenhou os Palácios da Alvorada e do Planalto, entre outros. Juscelino Kubitschek, o JK, taxado pelos opositores como um direitista liberal e desenvolvimentista, adorou receber de Niemeyer os novos Palácios da nova capital Brasília. O fato é que os poderosos – comunistas, capitalistas, nacionalistas de direita, nacionalistas de esquerda etc – sempre adoraram palácios. Os ditadores adoram o simbolismo do poder e a ostentação para mostrar que estão num nível muito acima dos comuns, de modo a serem endeusados pela população inculta.

Um arquiteto comunista e um político capitalista se uniram para construir os Palácios de Brasília, provando que a esquerda e a direita têm o mesmo gosto pelo luxo e riqueza.

Um arquiteto comunista e um político capitalista se uniram para construir os Palácios de Brasília,
provando que a esquerda e a direita têm o mesmo gosto pelo luxo e riqueza.

É interessante que ao presidente do Brasil um palácio só seria muito pouco. Nosso presidente precisa logo de dois palácios: um deles como residência – o Alvorada – e o outro como gabinete de trabalho – o do Planalto.

Mas poder se manifesta também no grande empresariado: alguns empresários paulistas criaram o famoso Palácio das Indústrias, que recebeu exposições e mostras de produtos nos anos 20, tendo sido transformado hoje em um museu no Parque D.Pedro II em São Paulo.

O Palácio das Indústrias foi um símbolo e uma demonstração de poder dos empresários de São Paulo, no início do Século XX

Os pequenos empresários também gostam demais de Palácios, tanto que seus estabelecimentos comerciais recebem marcas com nomes de: Palácio das Festas, Palácio do Sorvete, Palácio da Cerveja, Palácio das Ferramentas, Palácio do Som, Palácio das Tintas e outros.

Os pequenos comerciantes, à sua maneira, também elevam seus estabelecimento ao nível de Palácios.

Os pequenos comerciantes, à sua maneira, também elevam seus estabelecimento ao nível de Palácios.

E mais surpreendente ainda, a entidade Força Sindical criou, para a alegria de todos os trabalhadores do Brasil, o Palácio do Trabalhadores. Ele fica em um magnífico prédio em São Paulo, na Rua Galvão Bueno, 782, no bairro da Liberdade.
E esse já é o segundo Palácio do Trabalhador no Brasil. O primeiro era bem menos luxuoso e foi criado em Alagoas em 1985, e teve o prédio tombado em 98, mas infelizmente, por dívidas e falta de pagamento, o prédio foi a leilão…

O primeiro Palácio do Trabalhador foi construído em 85 e ficava em Maceió, Estado do Alagoas. A Força Sindical construiu o grandioso Palácio do Trabalhador, segundo dizem, com o dinheiro deles.

O povo brasileiro realmente é fissurado em Palácios, Reis e Rainhas. Vejam como as escolas de samba têm adoração por Palácios e até se intitulam “impérios”, tal qual as escolas Império Serrano, Império da Casa Verde, Império da Zona Norte e outros tantos Impérios e Reinados. Tivemos até o nosso Rei do Futebol devidamente coroado.

Carnaval: são 3 dias de “Luxo” versus um ano inteiro de pobreza. Exigimos Reis: do Rei Momo ao Rei do Futebol Mundial.

Carnaval: são 3 dias de “Luxo” versus um ano inteiro de pobreza. Exigimos Reis: do Rei Momo ao Rei do Futebol Mundial.

Algumas escolas de samba criam espaços para ensaios e dão o nome de Palácio do Samba, um fenômeno que surge primeiro no Rio de Janeiro e depois vai sendo levado para outras capitais do Brasil.

Palácios do Samba de Estação Primeira de Mangueira do Rio nas fotos 1 e 3. No centro, planta do Palácio do Samba de Santos.

Palácios do Samba de Estação Primeira de Mangueira do Rio nas fotos 1 e 3. No centro, planta do Palácio do Samba de Santos.

Considerando “a gravidade do problema nacional da falta de moradia” é compreensível que os brasileiros tenham “desejos e palacetes” em seu imaginário, mesmo que seja apenas um “minha casa, minha vida”. É um sonho impregnado por uma cultura de reinos da fantasia.

2- O presidente americano não mora em Palácio e sim na Casa Branca

Os americanos preferem não ostentar e, por isso, sua casa presidencial não é um palácio e sim uma casa.
O presidente americano, seja ele Democrata ou Republicano, não tem e nunca terá nenhum palácio como residência oficial. Ele mora na Casa Branca. Com diria o compositor e cantor Peninha, ele tem a simplicidade de uma “casinha branca de varanda” e um “quintal de mato verde”.

O simbolismo, que é matéria dos estudos de Branding, explica alguns pontos: a Casa Branca representa a simplicidade e o pragmatismo dos americanos “ricos de verdade”, em oposição ao luxo da pobreza de espírito tupiniquim.

De fato, a comparação entre o presidente americano que usa a Casa Branca e o presidente brasileiro, que usa dois palácios – o Palácio Alvorada para morar e o Planalto do Planalto como escritório de trabalho – mostra bem o espírito grandiloquente da nossa cultura em oposição à praticidade americana.

Eles são “modernos” desde a Constituição da República Federativa dos Estados Unidos da América, promulgada em 1789. E nós somos “barrocos” ou “rococós” desde a proclamação da nossa República em 1889, com exatos 100 anos de atraso em relação a eles.

Mas o simbolismo da simplicidade não é uma exclusividade americana não. A Argentina, que sempre teve uma população bem mais escolarizada e mais culta que a brasileira, também tem a sua “Casa Rosada” como residência presidencial, em vez de palácio.

Em vez de palácio, na Argentina também tem a Casa Rosada como residência presidencial.

Em vez de palácio, na Argentina também tem a Casa Rosada como residência presidencial.

3-  Brasil: mania de grandeza, pobreza e safadeza.

Nós, brasileiros, temos um falso sentimento de que somos especiais e adotamos a mania de grandeza: dizemos orgulhosamente que temos o maior estádio de futebol do mundo, que somos o maior isso e o maior aquilo… Pobre do Brasil e dos brasileiros que acreditam na fantasia de um País Sem Pobreza criado na mente das nossas tortas esquerdas safadas. O que tivemos no passado recente foram duas coisas distintas: o Brasil do Real e, depois, os 13 anos do Brasil da Fantasia, o Brasil da Farra da Corrupção.

Há muitos anos, quando meu pai ainda era vivo, ouvi dele uma frase brincalhona em seu típico humor: “Com tantos Palácios que têm os governos e com tanta falta de casa para povo, acho que vivemos um regime de ‘Palaciada’ com Palhaçada”. Nem chega a ser uma piada, mas com certeza foi uma frase de um homem simples que entendia profundamente a simbologia do poder.
Hoje vejo claramente que herdei do meu pai o gosto pela linguagem, pela simbologia e até pelo branding.

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Texto de: Augusto Nascimento, consultor de Branding e Marketing da Innovax-BBI Consultoria, do Grupo BBI. Ficam autorizadas cópias para fins de divulgação um-a-um (exceto publicação), desde que citado este site como fonte, bem como o autor do artigo. Para contatar o autor, ligue para (11) 2338.4939 ou então envie mensagem através do formulário deste site.